Há poucos dias uma presença intrigante cruzou meu caminho. Aquele cara, que só de se aproximar já me deixa de pernas bambas, que mexe com meu coração de maneira singular e que causa estragos quando ultrapassa a distância mínima regulamentar! Sim. Ele mesmo, esteve por aqui… Contrariando todas as expectativas, quebrando todas a regras e perturbando meu auto-senso. Tocável, paupável, “sentível!” E mesmo depois de tanto tempo… adorável.

Aquele “eu te amo” que há tanto eu venho ensaiando [e ansiando], assim como os abraços apertados imaginados e os beijos saudosos sonhados não aconteceram. Pessoas que eu amo demais, assim como pessoas que são arrogantes demais me metem medo, me deixam trêmula, bamba, e sobretudo, boba! Faço sim, papel de babaca. Panaca. Travada. As conversas idealizadas assim como os planos a serem divididos também não deram a cara. As palavras permaneceram presas, na ponta da língua. A nossa história de amor, ou melhor, a MINHA história de amor sem fim, mais uma vez não passou do platônico para o real.

O pior é que todo mundo parece pensar que vivo uma vida de amores fáceis e correspondidos. Doce ilusão! Sonho meu! Pois acredite, eu também sei tão bem quanto tu o peso da rejeição, a dor de uma traição, a angústia de um coração partido e a sensação de abandono. E também sei o que é apostar todas as suas fichas num sentimento que, de retorno, só te traz desilusão e expectativas em vão. Uma bolsa de valores quebrada, na qual você, de tapada, insiste em investir. Pois bem, acredite! Eu também já colei os caquinhos do meu coração com super bonder! A diferença está apenas no fato de que, eu colei mesmo e tomei a consciência de que o melhor é SEGUIR EM FRENTE!

Tenho tirado forças não sei de onde e tido jogo de cintura pra driblar essa dor, camuflá-la, fechar a ferida e isso tudo, SEM descer do salto. Sem me humilhar, sem hiper valorizar e ficar correndo atrás de quem não me quer, sem aceitar migalhas de um relacionamento qualquer disfarçado de paternalismo, amizade, ou seja lá o que for escondendo na verdade um poço de pena ou de sentimento de obrigação da pessoa em ser bacana comigo, pra não me fazer sofrer! É! Porque muita gente acaba sendo bonzinho com a gente, quando não vestimos a camisa do amor próprio, simplesmente porque morre de pena e não quer machucar mais o pobrezinho do ratinho ferido! Eu cheguei no fundo do poço e descobri que lá no fundo tinha uma mola, me impulsionando pra cima e me mostrando que o mais importante é não esquecer de amar a si mesmo e não esquecer o seu próprio valor. Quando é assim, o nosso amor por nós mesmo já nos basta e não precisamos de restos, pena ou obrigação!

E há mais de 8 anos eu sigo minha vida com esse amor não correspondido! Eu convivo, decentemente, com a dor da traição do cara da minha vida que se perdeu por um rabo de saia qualquer! Eu lido com o abandono e com a esperança de que um dia ele vai perceber, se tocar e se arrepender!!! Mas não ansiando que nada volte a ser como era, porque se algo não foi bom, não há porque querer voltar atrás! Apenas ansiando que esse cara aprenda que com sentimentos não se brinca, que as cicatrizes são pra toda uma eternidade, que passa o tempo, passa a idade mas não cessa a saudade… Mas que acima de tudo, que esse cara aprenda que eu continuo aqui, sendo sua filha ferida mas que o ama mais que tudo nessa vida!

Sim.
Meu pai esteve aqui.

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